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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Renan Deixa Liderança Do PMDB No Senado: “Estou Me Libertando De Uma Âncora Pesada E Injusta”


Um dos principais líderes do PMDB nos últimos anos, o senador Renan Calheiro (PMDB-AL) acaba de anunciar sua saída da liderança do PMDB no Senado. Reiterando as firmes críticas que tem feito, nos últimos meses, à gestão de Michel Temer na Presidência da República, Renan diz que o governo do colega de partido se transformou em um ambiente de chantagens, “perseguindo parlamentares que não rezam a cartilha governamental”. E foi além
“Como continuar com um governo comandado por um presidiário como Eduardo Cunha?”, fustigou Renan, referindo-se a um dos principais aliados de Temer até ser preso, em outubro passado, por envolvimento na Operação Lava Jato. Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, na primeira das ações a que responde na Justiça.

Estou me libertando dessa âncora pesada e injusta”, reclamou o senador, aproveitando para reforçar os protestos contra as reformas trabalhista e previdenciária, duas das principais apostas de Temer para tentar superar a mais grave crise de sua gestão. “Não tenho a menor vocação para marionete. O governo não tem a menor credibilidade para fazer as reformas.”
Renan se antecipou a uma possível mudança de decisão da bancada de seu partido. Ontem (27), o Senado presenciou mais uma rodada de troca de farpas contra e pró-Temer entre os peemedebistas Renan Calheiros e Romero Jucá. Após ameaçar usar a posição de líder do partido para trocar membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vota hoje (28) a reforma trabalhista, Jucá citou acordo feito durante reunião da bancada. Renan, contudo, não alterou nenhum membro da comissão.
Na sessão plenária de ontem, o senador alagoano não poupou críticas ao governo, que afirmou ser “influenciado por um presidiário de Curitiba”, em referência ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde outubro na capital paranaense e condenado a mais de 15 anos de prisão. Era a tréplica do alagoano, que rebatia a manifestação de Romero Jucá (PMDB-RR).

O líder do governo no Senado fez a defesa das reformas do governo após Renan usar seu tempo de fala para criticar a reforma trabalhista, pedindo que o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), tomasse alguma providência em relação à reforma, ou o Senado teria de ver “essa gente fingindo que está governando o país”. Afirmou ainda que Temer, primeiro presidente formalmente denunciado por crime comum no exercício do mandato, não tem legitimidade para governar o País.
Depois que Renan ameaçou fazer trocas de membro da CCJ, que vota hoje relatório da reforma trabalhista de autoria do próprio Jucá, o líder do governo não deixou a ameaça por menos. “Estranho essa posição de ele dizer que vai mudar os membros [CCJ], porque nós fizemos uma reunião de bancada e, por 17 a 5, definimos que apoiaríamos a reforma e que as coisas ficariam como estão. Se vossa excelência muda de posição, isso nos dá a condição de mudar também [o comando partidário], porque nós fizemos um pacto, demos a palavra. E a minha palavra vale! Quando eu dou, eu cumpro. Pode chover canivete”, declarou Jucá.














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