O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), afirmou que a Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, não alterou seus planos para a disputa eleitoral deste ano. Alvo de um mandado de busca e apreensão na última terça-feira 27, quando teve equipamentos eletrônicos apreendidos, o gestor afirmou que não alterou seu planejamento e declarou que vai anunciar “nos próximos dias” sua decisão sobre uma possível candidatura a governador do Rio Grande do Norte.
“Eu estou muito sereno, muito tranquilo, muito leve e com muita fé. Estou tocando a minha vida da mesma forma. Estou tocando a minha vida, os meus planos, os meus projetos… Eu disse que, no início deste ano, eu iria decidir sobre pré-candidatura. Esse momento ainda vai acontecer”, afirmou Allyson, em entrevista ao programa Repórter 98, da 98 FM, nesta quarta-feira 29.
Allyson registrou que integra um grupo político que vai apresentar uma candidatura ao Governo do Estado, podendo o candidato ser ele ou não. Além dele, integram o grupo o União Brasil do ex-senador José Agripino Maia, o PP dos deputados federais João Maia e Robinson Faria, o MDB do atual vice-governador Walter Alves e o PSD da senadora Zenaide Maia. “Nós temos grupo”, afirmou o prefeito.
Questionado por que ainda não oficializou a pré-candidatura, Allyson afirmou que “ninguém é candidato de si próprio”. Ele disse que o grupo articula a formação de um projeto para o Estado antes de lançar o nome à disputa.
“Candidato ao Governo do Estado para ser só mais um, para juntar partido e para juntar políticos, eu não quero ser, não. Se for para ser candidato ao Governo do Estado, que seja para apresentar um projeto ao Estado. Então nós estamos discutindo, conversando e avaliando. Em mais alguns poucos dias nós vamos reunir esse grupo e nós vamos decidir pela formação, sim, de uma chapa majoritária”, destacou.
Rede de apoio após operação da PF
O prefeito enfatizou que a Operação Mederi não fragilizou seu grupo político. Ele afirmou que, pelo contrário, recebeu uma ampla rede de apoio e manifestações de solidariedade – inclusive dos partidos União Brasil, PP, MDB e PSD, que soltaram nota conjunta.
“Tem um vídeo nosso que foi postado próximo ao momento que passou já de 1 milhão de visualizações. Tem mais de 10 mil pessoas comentando. E o teor dos comentários é a população sabendo o que de fato está acontecendo. Tive uma rede de apoio de políticos com e sem mandato, que fizeram questão de entrar em contato comigo”, destacou.
Allyson acrescentou que o grupo ficou ainda mais fortalecido após a operação. “Eu vejo um grupo muito alinhado, e esse grupo tem que apresentar ao Estado do Rio Grande do Norte um projeto de desenvolvimento, que o desenvolvimento esteja acima das ideologias. Ideologia acima do Estado é o fracasso que nós estamos vendo aí”, finalizou.
Sobre a Operação Mederi
Deflagrada na última terça-feira, a Operação Mederi tem o objetivo de desarticular um suposto esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios envolvendo a compra de medicamentos por seis prefeituras do Rio Grande do Norte, inclusive Mossoró.
Ao todo, os agentes saíram às ruas para cumprir 35 mandados de busca e apreensão no Estado, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais determinadas no âmbito da investigação. Segundo o último balanço divulgado pela PF, foram apreendidos ao todo: 33 celulares, 34 dispositivos eletrônicos (notebooks, HDs e tablets), 4 veículos, 117 documentos e R$ 251 mil em espécie.
Parte do dinheiro apreendido foi encontrado em uma caixa de isopor na casa de Oseas Monthalggan, um dos sócios da Dismed – uma das empresas que faria parte do esquema. O empresário foi gravado pela PF conversando sobre a possível distribuição de propinas. Em nota, a defesa da empresa afirmou que o dinheiro apreendido é compatível com suas atividades comerciais.
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, também foi um dos alvos. Da casa dele, os agentes levaram um celular, dois HDs e um notebook. O vice Marcos Medeiros (PSD) também foi alvo e teve um celular levado pelos agentes.
Além de Mossoró, as fraudes teriam ocorrido em outros cinco municípios potiguares: José da Penha, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Mandados foram cumpridas nessas cidades e também em Natal e Upanema.
De acordo com a PF, a operação tem como base auditorias realizadas pela CGU. Documentos do órgão apontam falhas na execução contratual, incluindo indícios de compra de materiais que não foram entregues, fornecimento inadequado de insumos e sobrepreço nos contratos analisados.
Fonte: Agora RN


