A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte realizou, na tarde desta quinta-feira (26), uma audiência pública para discutir os desafios relacionados ao climatério e à menopausa, com foco na saúde, direitos e qualidade de vida das mulheres em todas as fases. O objetivo do debate foi reduzir a desinformação e discutir alternativas para melhorar na assistência ao público feminino no Rio Grande do Norte. Entre as ações discutidas, a audiência cobrou investimentos na capacitação dos profissionais de saúde para atuarem na área.
Proposta pela deputada estadual Divaneide Basílio (PT), a audiência destacou a importância de tratar o climatério e a menopausa como questões de saúde pública e de direitos humanos. Segundo a parlamentar, é fundamental romper o silêncio em torno dessas fases da vida da mulher.
“A gente ainda enfrenta muita invisibilidade quando fala sobre climatério e menopausa. São fases naturais, mas que impactam profundamente a vida das mulheres, seja na saúde física, emocional ou até nas relações de trabalho. Precisamos garantir que esse tema entre de forma efetiva nas políticas públicas, com acolhimento e informação de qualidade”, afirmou.
Durante o encontro, foi reforçado que o climatério — geralmente vivido entre os 40 e 60 anos — envolve alterações hormonais significativas, capazes de afetar diretamente a qualidade de vida das mulheres. A falta de preparo dos serviços de saúde e a ausência de protocolos clínicos específicos foram apontadas como entraves para um atendimento adequado.
Esse ponto foi levantado também pela presidente do Instituto Menopausa Feliz, Adriana Ferreira. Ela chamou a atenção para os impactos sociais e emocionais enfrentados pelas mulheres nesse período, além da importância de fazer com que os profissionais de Saúde entendam as particularidades dessa fase nas mulheres.
“Muitas mulheres passam por essa fase sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo. Isso gera sofrimento, insegurança e, muitas vezes, isolamento. E isso piora quando elas são atendidas em unidades de saúde por profissionais que não entendem a situação. Falta formação para que os profissionais de saúde saibam acolher e atender essas mulheres, não confundindo com problemas diferentes", explicou.
Representando a Secretaria de Estado da Saúde Pública, a secretária adjunta Leydiane Ramalho destacou a necessidade de fortalecer a atenção básica e qualificar os profissionais para lidar com a temática, mas apontou que o Estado tem a intenção de colaborar para a melhoria dos atendimentos.
"Precisamos olhar para essa realidade. Há tempos atrás já era encarado como fim de vida, hoje já não é mais. Temos que entender que essas mulheres tem muito para viver. Vamos continuar dando o espaço que for necessário para que essas políticas sejam implementadas", garantiu a secretária.
Durante o debate, a deputada Divaneide Basílio falou sobre dois projetos que tratam obre o tema, sendo um que Institui o Programa de Atenção e Enfrentamento da Depressão às mulheres em fase do Climatério e Menopausa, e outro que define o dia 18 de outubro como "Dia Estadual de Conscientização sobre o Climatério e a Menopausa".
Ao fim da audiência, que ouviu representantes de diversas instituições, ficaram firmados como encaminhamentos ampliação da rede de atendimento às mulheres, capacitação dos profissionais de saúde, ampliação do diagnóstico das mulheres em climatério e menopausa, além de campanhas de sensibilização da sociedade sobre o tema, combate ao etarismo e encaminhamento de recursos para melhorar o atendimento.
"Todas as questões podem ser revisadas. A gente juntou uma chuva de ideias e vamos cobrar a instalação de uma comissão para acompanharmos de perto a regulamentação das leis e as ações. Gratidão pelo debate e pela troca", disse Divaneide Basílio, que reforçou a necessidade de construção de políticas públicas voltadas ao tema e colher contribuições para ações legislativas e executivas que assegurem direitos e ampliem o cuidado integral à saúde da mulher.


